Os líderes partidários da Câmara dos Deputados chegaram a um acordo nesta quinta-feira (10) para que a Casa se posicione contra a taxação de 50% imposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos importados do Brasil. A medida, classificada como retaliação política, gerou reações em diversos setores econômicos e entre parlamentares.
O pedido de posicionamento foi feito pelo PDT e, segundo o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), foi aceito quase por unanimidade. Apenas o PL discordou da iniciativa. “Só o PL está solidário com Trump. Há consenso de que isso é inaceitável e nós vamos reagir. O presidente Hugo Motta está avaliando o pronunciamento oficial da Casa”, afirmou Guimarães.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que vai buscar um posicionamento institucional que reflita o sentimento da maioria dos deputados. A expectativa é que a declaração ocorra em conjunto com o Senado, embora a reunião com líderes da outra Casa tenha sido cancelada.
Enquanto isso, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo aumento das tarifas. “Trump não agiu, ele reagiu. E quem provocou foi o Lula. O Brasil está sendo humilhado porque temos um presidente fraco e sem moral”, criticou.
A medida adotada por Trump foi justificada pelo ex-presidente americano como uma reação à suposta perseguição política a Jair Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe após as eleições de 2022. Em carta, Trump classificou a investigação como uma “vergonha” e exigiu o arquivamento do processo contra o aliado político.
O governo brasileiro repudiou a atitude. O Ministério das Relações Exteriores declarou que o país não aceita interferência externa em suas decisões soberanas. O presidente Lula também reagiu, afirmando que o Brasil é uma nação soberana, com instituições independentes, e que responderá à medida com base no princípio da reciprocidade.


















