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TCU arquiva denúncia contra Hugo Motta por contratação de funcionários fantasmas

A Primeira Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar a denúncia apresentada contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apontava a suposta contratação de funcionários fantasmas em seu gabinete. A decisão contrariou parecer da área técnica do tribunal, que defendia o aprofundamento das apurações.

O relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que a denúncia estava baseada apenas em reportagens jornalísticas e não apresentava “elementos probatórios mínimos” para justificar diligências. Ele destacou que a jurisprudência do TCU exige indícios concretos de irregularidade para que a representação seja admitida.

Áreas técnicas defendiam investigação

Um parecer interno do TCU, formulado pela Auditoria Especializada em Gestão do Estado e Inovação (AudGestãoInovação), apontava que havia pressupostos suficientes para admitir a denúncia. A área técnica recomendou que o gabinete de Motta fosse ouvido em até 15 dias e apresentasse esclarecimentos sobre o regime de trabalho das servidoras citadas como fantasmas.

Apesar disso, os ministros da Primeira Câmara decidiram, por unanimidade, não conhecer a representação, determinando seu arquivamento imediato.

Funcionárias citadas e exonerações

A denúncia mencionava três servidoras: uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina e uma assistente social que teriam atividades incompatíveis com o regime de trabalho da Câmara. A revelação pública dessas contratações gerou repercussão nacional e levou Motta a anunciar a exoneração de duas funcionárias em julho. A terceira foi desligada apenas em outubro.

Entre os casos apontados estavam:

  • Gabriela Pagadis, fisioterapeuta que atuava em clínicas de Brasília enquanto recebia salário de R$ 11,8 mil da Câmara.

  • Louise Lacerda, estudante de medicina em curso integral, com salário de R$ 2,8 mil e mais R$ 1,8 mil em auxílios.

  • Monique Magno, assistente social contratada simultaneamente pela Prefeitura de João Pessoa, recebendo R$ 1,8 mil da Câmara mais R$ 1,8 mil em auxílios.

A denúncia também mencionava vínculos familiares entre as servidoras e pessoas ligadas a Motta, além da atuação da chefe de gabinete, Ivanadja Velloso, investigada por outro suposto esquema de “rachadinha”.

Ministério Público Federal investiga

Paralelamente ao processo no TCU, o Ministério Público Federal no Distrito Federal conduz investigação própria sobre o caso. Sob sigilo, o procedimento apura possível dano ao erário e enriquecimento ilícito envolvendo o deputado, sua chefe de gabinete e os servidores citados. Caso encontre indícios, o MPF poderá instaurar um inquérito civil.

O deputado Hugo Motta tem evitado comentar o tema publicamente. Desde que o caso veio à tona, tem adotado silêncio nas abordagens da imprensa.


RESUMO DA NOTÍCIA:

  • TCU arquiva denúncia contra Hugo Motta por supostos funcionários fantasmas

  • Relator afirma que acusação não apresentou indícios mínimos para investigação

  • Área técnica recomendava ouvir o gabinete e aprofundar apuração

  • Três funcionárias foram citadas por atividades incompatíveis com a Câmara

  • Duas foram demitidas em julho; a última, apenas em outubro

  • MPF conduz investigação própria sob sigilo

  • Caso envolve suspeitas de dano ao erário e enriquecimento ilícito


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