Em mais um ato de obstrução ao funcionamento do Congresso Nacional, a oposição tumultuou a reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (6). O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) ocupou a Mesa Diretora da comissão em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o parlamentar, a ocupação teve como objetivo garantir “paridade de armas” entre acusação e defesa. “O motivo da minha permanência na Mesa é uma questão chamada paridade de armas, que diz respeito à defesa nos mesmos termos e com a mesma intensidade do ataque”, declarou.
A atitude gerou reação imediata de deputados da base governista. O deputado Tadeu Veneri (PT-PR) criticou a ação, dizendo: “O senhor não foi eleito para estar na Mesa”. Bilynskyj rebateu: “Me retire”. Em resposta, Veneri retrucou: “Ah, que lindo, ‘me retire’! A sua moral deveria ser tirar-se”.
O presidente da comissão, deputado Reimont (PT-RJ), optou por não solicitar a retirada forçada do colega por agentes da Polícia Legislativa. “Eu não vou pedir ao Depol para retirar o Bilynskyj porque não é constrangedor para ele, mas para a Polícia Legislativa, que eu respeito muito”, justificou.
Bilynskyj permaneceu na Mesa por cerca de 20 minutos, alegando ter sido alvo de ofensas durante a sessão. O clima ficou ainda mais tenso após Reimont se referir à oposição como “extrema direita”, provocando reações entre os parlamentares do PL. O petista também ironizou o protesto realizado no dia anterior por senadores bolsonaristas, afirmando que levaria “esparadrapos” à próxima sessão.
Apesar do tumulto, a pauta da comissão previa a análise de dois projetos de lei: um que dificulta a proposição de acordos de não persecução penal em casos de racismo e outro que estabelece critérios mais rígidos para desapropriações envolvendo comunidades tradicionais ou de baixa renda. Também estavam previstos requerimentos para a realização de audiências públicas.
A ocupação da Mesa é mais um capítulo da mobilização de parlamentares da oposição, que têm adotado estratégias de obstrução e protesto em resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.











