Na política, assim como na vida, alguns sonhos não morrem — apenas são adiados. E poucos personagens na Paraíba representam tão bem essa máxima quanto Adriano Galdino. Presidente da Assembleia Legislativa, articulador nato e uma das maiores lideranças do estado, ele viu, nesta semana, a possibilidade de disputar o Governo da Paraíba em 2026 escorrer por entre os dedos. Mas não sem deixar sinais claros de que seu projeto pode estar apenas começando. E eu explico.
A movimentação que pode ter selado a inviabilidade da sua candidatura partiu de dentro da própria casa. Em Brasília, o presidente estadual do Republicanos, Hugo Motta, oficializou aquilo que já vinha sendo costurado nos bastidores: o partido marchará com Lucas Ribeiro para o Governo do Estado, além do governador João Azevêdo e do prefeito de Patos, Nabor Wanderley, para as duas vagas de Senado. Ou seja, a chapa majoritária está fechada, restando só a vice. E é justamente esse espaço que pode entregar nas mãos dele o que ele tanto quer: ser governador.
O recado foi reforçado imediatamente pelo seu irmão e deputado federal, Murilo Galdino, que admitiu publicamente a incapacidade do Republicanos de viabilizar o projeto do presidente da Assembleia. Murilo, mesmo ressentido com João e Hugo, prometeu acompanhar a decisão do partido e votar em Lucas. Mas deixou escapar o ponto mais simbólico de toda a articulação: Adriano não desistiu do sonho; apenas o adiou.
Essa frase não foi jogada ao vento. Ela condensa o sentimento de um grupo que sabe do peso político de Adriano, mas entende que, neste momento, o espaço está ocupado. E é justamente por isso que novos caminhos estão sendo desenhados.
Nos bastidores, toma força a construção de um acordo que pode mudar inteiramente o desenho das próximas duas eleições. Existe um movimento consistente para que Adriano Galdino seja indicado vice-governador na chapa de Lucas Ribeiro em 2026 — uma composição que agradaria não apenas o Republicanos, mas também parte significativa da base governista. O argumento é simples: se a vice for de Adriano, ele encabeça a tese de continuidade do projeto socialista na Paraíba e se torna o herdeiro natural dele, portanto, o candidato do grupo ao Governo da Paraíba em 2030. Legítimo, ele está a quase 16 anos carregando o governo Ricardo Coutinho e João Azevêdo nas costas, dando viabilidade a ambos da Assembleia.
É matemática eleitoral com garantia política: transformam-se duas candidaturas em uma só, com prazo para realização. Lucas governador em 2026, Adriano em 2030. Todos ganham. O partido mantém unidade. As bases se acalmam. E Adriano, mesmo sem subir ao topo agora, passa a ser o nome inevitável na próxima virada de ciclo.
Para quem acompanha a trajetória do presidente da Assembleia, esse desfecho não seria surpresa. Adriano sempre atuou como quem compreende que a política é feita de timing — e não de impulsos. Esperou, construiu, articulou, cedeu quando precisou e avançou quando foi possível. Adiar não significa enfraquecer. Em muitos casos, significa fortalecer.
Ele chegou a admitir que não tem vaidade de, inclusive, voltar a ser deputado estadual nas próximas eleições. Mas quem conhece Adriano de perto sabe que ele não move uma peça sem pensar em outras duas e dar um xeque mate.
Se a costura se consolidar, o “sonho adiado” pode virar o maior trunfo político de Adriano Galdino. Ele se coloca no centro do poder em 2026, assegura protagonismo e ainda entra em 2030 com um cenário inteiro pavimentado. A Paraíba já viu esse roteiro, porém a senha agora é diferente: o vice é o sucessor natural e ninguém vai ter coragem de dizer o contrário disso em 30. Se o Republicanos, Progressista e PSB confirmarem esse compromisso interno — e se Lucas entrar nessa sintonia —, Adriano finalmente terá a chance de concluir uma trajetória que começou décadas atrás em Pocinhos e encontrou seu auge na presidência da Assembleia.
Por enquanto, oficialmente, o sonho fica para depois. Mas, politicamente, ele nunca esteve tão vivo. E, no tabuleiro paraibano, nada é mais forte do que um sonho adiado no tempo certo.
















