PEÇAS PRODUZIDAS POR INDÍGENAS
Ibama apreende artesanatos com penas de espécies ameaçadas na Paraíba 

PEÇAS PRODUZIDAS POR INDÍGENASIbama apreende artesanatos com penas de espécies ameaçadas na Paraíba 

Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram uma ação de fiscalização nesta quarta-feira(22) no Salão do Artesanato, em João Pessoa. Durante a operação, foram apreendidas peças artesanais confeccionadas com penas de aves pertencentes a espécies ameaçadas de extinção.

Indígenas do povo Potiguara, responsáveis pela confecção das peças, alegaram desconhecimento da legislação ambiental que proíbe a exposição e comercialização desse tipo de material. Fátima da Conceição, pajé e artesã do grupo, destacou que as penas utilizadas não são retiradas das aves de forma forçada, mas recolhidas durante a muda natural. “As penas caem naturalmente, não maltratamos os animais”, afirmou.

A fiscalização foi desencadeada após denúncias feitas por turistas. Agentes à paisana confirmaram que as peças utilizavam materiais de espécies ameaçadas, o que motivou a apreensão de dezenas de itens pouco antes da abertura do evento.

Leonardo Thomaz, chefe de fiscalização do Ibama, explicou que a legislação ambiental é clara quanto à proibição da comercialização de materiais provenientes de espécies ameaçadas, mesmo que recolhidos sem violência contra os animais. “Os indígenas podem usar esses ornamentos em rituais, mas não é permitido comercializá-los em território nacional. Imagine o impacto ambiental caso isso fosse liberado”, argumentou.

A operação gerou questionamentos por parte da secretária da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba, Lídia Moura, que criticou a ausência de acompanhamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) durante a fiscalização. Segundo ela, a lei federal exige a presença da Funai em ações dessa natureza.

Fátima da Conceição também expressou indignação quanto à condução da operação. “Se o Ibama sabia da proibição, por que não acionou nossas lideranças ou a Funai antes do evento? Isso nos pegou de surpresa e parece uma grande discriminação”, desabafou.

Em defesa da ação, o Ibama informou que os materiais apreendidos serão encaminhados ao centro de triagem de animais silvestres, onde poderão ser utilizados em projetos de reabilitação de aves. A polêmica reforça a necessidade de maior diálogo entre órgãos ambientais, indígenas e autoridades locais para evitar conflitos e garantir o respeito aos direitos e às tradições culturais.

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