O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou neste domingo (22) que pode apoiar uma eventual mudança de regime no Irã, um tema delicado na geopolítica internacional. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou: “Não é politicamente correto usar o termo ‘mudança de regime’, mas se o atual regime iraniano não consegue fazer o Irã grande novamente, por que não haveria uma mudança de regime?”.
Na semana anterior, o republicano já havia provocado tensões ao afirmar que conhece a localização do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, mas garantiu que os EUA não pretendem assassiná-lo “pelo menos não por enquanto”. Israel, por sua vez, não descarta essa possibilidade, embora afirme que seu foco permanece no desmantelamento do programa nuclear iraniano.
As declarações de Trump ocorreram após bombardeios norte-americanos a três instalações nucleares no Irã na noite de sábado (21). O presidente classificou a operação como “monumental” e elogiou a atuação dos militares americanos, destacando que os ataques foram “duros e precisos” e executados com “grande habilidade”.
Segundo o Pentágono, a chamada “Operação Martelo da Meia-Noite” contou com dois grupos de aeronaves. Um deles partiu da base aérea de Whiteman, no Missouri, voando inicialmente em direção ao Pacífico numa manobra de distração. O segundo grupo decolou posteriormente, seguindo rumo ao leste para realizar os ataques. Trump informou que os bombardeiros B-2 já retornaram em segurança ao Missouri.
Rússia e China reagem com críticas contundentes
As ações militares norte-americanas provocaram fortes reações internacionais. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou o ataque como uma “decisão irresponsável” e uma “violação flagrante do direito internacional”, por ter sido realizado no território de um Estado soberano sem respaldo legal.
Pelo Telegram, o ex-presidente russo Dmitri Medvedev ironizou Trump: “Trump, que assumiu como um presidente pacificador, iniciou uma nova guerra pelos EUA. Assim, certamente não ganhará o Nobel da Paz”.
A China também se manifestou por meio de sua mídia estatal, comparando a operação à invasão do Iraque em 2003. “Os Estados Unidos estão repetindo o erro cometido no Iraque. A história tem demonstrado que intervenções militares no Oriente Médio frequentemente resultam em conflitos prolongados e desestabilização regional”, destacou o informe.
O Irã, alvo direto dos bombardeios, classificou a ofensiva como “perigosa, ilegal e criminosa”. Em publicação no X (antigo Twitter), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, acusou os EUA de violarem gravemente a Carta da ONU e o direito internacional, ao destruírem o que chamou de “instalações nucleares pacíficas”. “Os eventos desta manhã são ultrajantes e terão consequências eternas”, declarou.

















