O presidente estadual do Partido Verde (PV), Sargento Dênis, revelou que a Federação Brasil da Esperança, formada por PV, PT e PCdoB inicia, a partir de um almoço político nesta quarta-feira (4), as discussões sobre nomes para deputado estadual, federal e o posicionamento da federação no cenário majoritário da Paraíba .
“Hoje a gente tem novamente um almoço com a federação, mais uma reunião com os presidentes. É nesse momento que começamos a colocar os possíveis nomes. Mas tudo com cautela, porque sem janela partidária ninguém pode garantir que venha. Não dá para anunciar e depois parecer que mentiu”, afirmou Denis.
O encontro reúne o dirigente do PV com a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Cida Ramos, e a presidente estadual do PCdoB, Gregória Benário. Segundo Denis, o objetivo inicial não é fechar decisões, mas abrir o debate de forma coletiva e responsável. “O que eu defendo, como presidente da federação, é discutir todos os nomes com os três partidos. Não existe decisão isolada. A gente prefere falar menos agora e confirmar quando realmente houver definição”, destacou.
Sargento Denis também rebateu críticas e ruídos internos, especialmente vindos de setores do PT, e negou qualquer histórico de traição política dentro do PV. “Diferente do que algumas pessoas dizem, o PV não tem histórico de traição, de rasteira ou de acordos pelas costas. São 36 anos de partido sem escândalos, sem corrupção e sem esse tipo de prática. A gente não atropela ninguém”, disse.
Ele reforçou que qualquer filiação ou construção política dentro da federação será feita com diálogo prévio. “Toda pessoa que quiser vir para o PV vai conversar antes com o PT e com o PCdoB. Da mesma forma, esperamos esse respeito conosco”, pontuou.
De forma clara, Denis apontou os objetivos eleitorais da federação na Paraíba. “Nosso foco é voltar a eleger deputado estadual e, pela primeira vez, eleger um deputado federal do PV na Paraíba. É isso que começa a ser discutido a partir desse almoço”, revelou.
Durante a entrevista ao portal Fonte83, o dirigente explicou como se dá o processo de decisão dentro da federação. Quando há consenso entre os partidos no estado, a deliberação é encaminhada à direção nacional. “Se PV, PT e PCdoB concordarem, a decisão sobe para a nacional e é praticamente homologada. É 99% de chance de ser aceita, salvo algo completamente fora do campo político da federação”, detalhou.
Caso não haja consenso, a definição fica a cargo da Federação Nacional, que arbitra o impasse. “Se cada partido quiser um caminho diferente, quem decide é a nacional. É assim que funciona”, complementou.
Denis também afastou especulações sobre interferência direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas decisões locais. “Lula não escolhe candidato na Paraíba. O que ele quer é unidade, fortalecimento da federação e voto no projeto político”, ressaltou.
PV disputado e direção mantida
O presidente estadual do PV revelou que o partido tem sido procurado por diversas lideranças de esquerda, incluindo parlamentares e suplentes bem votados, mas negou qualquer possibilidade de mudança na presidência do partido neste momento. “Pessoalmente, eu não vou sair. Não existe essa possibilidade agora. Estamos em processo eleitoral e não é inteligente trocar direção”, afirmou.
Ele lembrou ainda que o partido enfrenta compromissos financeiros herdados de R$700 mil e que poucos estariam dispostos a assumir esse cenário. “Estamos pagando dívidas altas. Quem quiser assumir precisa ter responsabilidade. Mesmo assim, o partido está aberto a quem queira ajudar”, concluiu.
Sargento Denis negou que tenha havido conversa direta com o ex-deputado federal André Amaral para filiação ao Partido Verde. Segundo ele, houve apenas contatos indiretos, por meio de interlocutores comuns. “Não houve uma conversa direta com ele. O que existiu foi conversa de amigos em comum. E isso não aconteceu só com ele, aconteceu com muita gente”, afirmou.
O almoço desta quarta-feira, segundo Denis, marca o início da fase prática das decisões da federação de esquerda na Paraíba, que deve se intensificar nos próximos meses com a aproximação do calendário eleitoral.

















