A Polícia Civil da Paraíba deflagrou nesta quarta feira 26 a Operação ARGOS, considerada o golpe mais contundente contra o narcotráfico interestadual nos últimos anos. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, desarticulou a estrutura apontada como o maior núcleo fornecedor de drogas para a Paraíba e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
Mais de 400 policiais civis participaram da ofensiva, com apoio do GAECO do Ministério Público da Paraíba e de forças especializadas como GOE, GOC e UNINTELPOL. A operação também contou com cooperação das polícias civis de São Paulo, Bahia e Mato Grosso.
O alvo principal é Jamílton Alves Franco, conhecido como Chocô, apontado como líder da organização criminosa. Natural de Cajazeiras, ele migrou ainda jovem para São Paulo, onde teria ascendido dentro do sistema prisional ao estabelecer ligação com a cúpula do Primeiro Comando da Capital. A partir dessa conexão, segundo as investigações, estruturou um corredor logístico que abastecia o Nordeste com cocaína e maconha.
Histórico resumido da investigação
As apurações começaram em 2023 após uma sequência de apreensões recordes na Paraíba. O cruzamento de dados indicou que grandes carregamentos tinham o mesmo proprietário. A análise de celulares e a quebra de sigilos bancários revelaram uma organização com forte poder financeiro, atuando como uma espécie de holding do crime interestadual.
Prejuízo milionário ao tráfico
Desde 2023, as apreensões atribuídas ao grupo ultrapassam R$ 100 milhões em prejuízo. Entre os casos de maior impacto estão 150 quilos de cocaína apreendidos em Patos, 400 quilos de drogas em Cajazeiras e uma tonelada interceptada em Conceição. Em 2025, uma carga de 80 quilos de cocaína pura com selo Tio Patinhas também foi apreendida no Sertão.
Estrutura profissional do crime
A investigação identificou que a organização era dividida em núcleos especializados. Um setor cuidava do transporte das drogas em carretas de empresas legais para camuflar os entorpecentes. Outro núcleo fazia a distribuição interna na Paraíba. Já o braço financeiro operava um sofisticado esquema de lavagem que movimentou cerca de meio bilhão de reais desde 2023.
Entre os operadores da lavagem estão uma ex bancária que teria movimentado mais de R$ 15 milhões por meio de empresa de fachada e uma médica atuante no Mato Grosso que recebeu mais de R$ 10 milhões em menos de três anos, funcionando como elo financeiro na fronteira.
A investigação também revelou suspeita de infiltração em contratos públicos. Uma empresa de construção em Pombal recebeu quase R$ 3 milhões em empenhos para serviços urbanos mesmo sem funcionários registrados, com indícios de que recursos públicos eram desviados para alimentar o tráfico.
Mandados e bloqueios
A Operação ARGOS cumpre mandados em 13 cidades da Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. Ao todo são 44 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 104,8 milhões em contas bancárias, o sequestro de 13 imóveis de luxo e 40 veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões.
Com a ofensiva, a Polícia Civil afirma ter neutralizado os três pilares que sustentavam a organização criminosa: logística, varejo e capital.




















