O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu transformar a tramitação do projeto que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1 em uma estratégia de pressão sobre o Senado Federal. A aposta do Palácio do Planalto é que a votação da proposta na Câmara dos Deputados aumente a cobrança sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem resistido a acelerar a análise da matéria na Casa.
A movimentação ganhou força após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmar para a próxima semana a votação do projeto enviado pelo governo. A proposta estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e prevê pelo menos dois dias de descanso por semana sem redução salarial.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a aprovação do texto pelos deputados criará um novo cenário político para o Senado. Isso porque o projeto tramita em regime de urgência e, caso seja enviado à Casa Alta, passará a impor prazo para apreciação. Se não for votado dentro do período previsto, a pauta do Senado poderá ficar travada, dificultando a votação de outras matérias.
A estratégia também representa uma mudança de cenário em relação aos últimos meses. Inicialmente, Hugo Motta defendia que o tema avançasse por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), considerada um caminho mais lento. Agora, ao pautar o projeto do governo, a Câmara transfere parte da pressão política para o Senado.
O principal alvo da ofensiva é Davi Alcolumbre. O senador já afirmou que o Senado não será uma “Casa carimbadora” das decisões tomadas pela Câmara e tem adotado postura cautelosa em relação à proposta. A avaliação do governo é que a demora na tramitação pode gerar desgaste político diante de uma pauta com forte apelo popular.
Além da disputa institucional entre Câmara e Senado, a redução da jornada de trabalho é considerada uma das principais bandeiras do governo Lula para as eleições de 2026. O Planalto aposta que a proposta pode mobilizar trabalhadores e fortalecer o discurso de defesa dos direitos trabalhistas em um ano de intensa disputa política.
RESUMO DA NOTÍCIA:
- Governo Lula (PT) aposta na urgência do projeto da escala 6×1 para pressionar o Senado;
- Hugo Motta (Republicanos-PB) pautou a votação da proposta para a próxima semana;
- Texto reduz a jornada para 40 horas semanais e amplia os períodos de descanso;
- Planalto busca aumentar a pressão sobre Davi Alcolumbre (União Brasil-AP);
- Proposta é considerada uma das principais bandeiras eleitorais do governo para 2026.
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