MANDATO EM RISCO
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vota cassação do mandato de Carla Zambelli nesta terça-feira

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa nesta terça-feira (2) o processo que pode resultar na perda de mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A parlamentar foi condenada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por perseguir, com arma em punho, um opositor do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma rua de São Paulo.

Atualmente presa na Itália, Zambelli enfrenta também um pedido de extradição ao Brasil. Ela deixou o país após ser condenada a dez anos de prisão em regime fechado, e o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a perda de seu mandato. Ainda assim, cabe à Câmara analisar o processo de cassação.

O relator do caso na CCJ, deputado Diego Garcia, afirmou à imprensa que o sigilo imposto pelo ministro Alexandre de Moraes complicou a finalização do relatório, já que ele não pode citar informações confidenciais no parecer. A votação já foi adiada diversas vezes, inclusive em novembro, quando estava prevista para ocorrer.

O material sigiloso citado por Moraes também foi mencionado pela Procuradoria-Geral da República na denúncia que levou à condenação da parlamentar. Segundo o regimento interno da Câmara, perde o mandato o deputado condenado criminalmente em sentença transitada em julgado — condição já cumprida no caso.

Depoimentos na Câmara

Em setembro, a CCJ ouviu Zambelli e o hacker Walter Delgati Neto. Na oitiva, a deputada afirmou que existe uma “mentira” em seu processo, que teria surgido a partir de falas distorcidas de Delgati. O hacker disse que a deputada o procurou para invadir sistemas do Judiciário em troca de emprego, versão que ela nega.

Prisão e extradição na Itália

Após anunciar que havia deixado o Brasil, Zambelli teve o julgamento concluído no STF, que decretou o trânsito em julgado e tornou definitiva a condenação. Com isso, Moraes determinou que o governo brasileiro solicitasse sua extradição.

A deputada alega ter deixado o país por motivos de saúde e para “lutar pela liberdade de expressão”. Antes de seguir para a Itália, passou pelos Estados Unidos. Ela sustentou possuir cidadania italiana e acreditava estar protegida da Justiça brasileira no país europeu. Seu nome, no entanto, foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, usada para alertar polícias internacionais sobre fugitivos procurados.

A defesa mantém o discurso de inocência.
“A deputada reafirma sua inocência e que é vítima de perseguição política”, disse o advogado Fábio Pagnozzi após a segunda condenação.


RESUMO DA NOTÍCIA:

  • CCJ da Câmara analisa processo de cassação de Carla Zambelli;

  • Deputada foi condenada por invasão ao sistema do CNJ e perseguição armada;

  • Zambelli está presa na Itália e enfrenta extradição ao Brasil;

  • STF decretou perda de mandato após trânsito em julgado;

  • Relator diz que sigilo imposto por Moraes dificultou relatório;

  • Walter Delgati afirmou que recebeu pedido para invadir sistemas; Zambelli nega;

  • Nome da deputada entrou na lista vermelha da Interpol;

  • Defesa alega perseguição política e reafirma inocência.


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