Uma comissão de vereadores foi criada para debater com a categoria
A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) recebeu, durante a sessão desta terça-feira (17), um grupo de ambulantes, que procurou no Legislativo Municipal apoio para combater o assédio às mulheres da categoria e os abusos, como o sofrido por uma criança, no último fim de semana, na praia do Bessa. O grupo foi recebido por vereadores integrantes da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente da Casa a fim de conhecer de perto as reivindicações.
“A gente veio até aqui trazer as nossas dores, a gente sabe que a Câmara Municipal pode nos ajudar. O que aconteceu não foi um caso único, já tivemos outras crianças na mesma situação”, afirmou a líder Márcia Medeiros, da Associação dos Ambulantes e Trabalhadores em Geral. Ela explicou também que já houve casos de assédio com as mulheres ambulantes no exercício do trabalho. “Acontece também com algumas mulheres, quando estão trabalhando e são assediadas na praia. Muitas vezes elas nem estão de biquini, estão de uniforme de trabalho. Isso acontece também à noite, quando vamos trabalhar em eventos”, relatou.
Márcia Medeiros afirmou que uma das dificuldades enfrentadas é a falta de assistência aos filhos no horário de trabalho. “Muitas vezes não temos onde deixar nossos filhos e levamos as crianças junto, e já aconteceu casos semelhantes a esse. As mães têm medo de denunciar, mas, hoje, a questão do cuidado à mulher é muito maior. Sentimos uma rede de apoio, existem pessoas nos esticando a mão, e isso nos traz até aqui, para buscar apoio dos vereadores que se comprometeram a estar juntos. Daqui tiramos uma ideia de cuidado para os nossos filhos durante o horário de trabalho”, afirmou.
O presidente da Frente Parlamentar, vereador Marcos Henriques (PT), destacou a urgência da pauta. “As denúncias são muito claras e requerem uma solução urgente para algo tão triste, que é a violência sexual. Os casos de assédio sexual são muito mais comuns do que a gente pensa. E, mais do que isso, nós precisamos lutar pela proteção dessas mulheres, são trabalhadoras informais que precisam da proteção do Estado”, destacou, sugerindo a criação de um programa especial para a proteção da classe juntamente com as polícias.
“É preciso combater esse mal que aflige tantas crianças, tantas mulheres. Nesse mês de março a gente espera formular essa política, dialogando com a gestão municipal, com a gestão estadual, em prol da luta e do trabalho das mulheres que passam por esse momento. Nós, como Poder Público, precisamos fazer alguma coisa”, enfatizou o parlamentar.
A vereadora Jailma Carvalho (PSB) afirmou que vai marcar uma audiência com a categoria para ouvir de perto as necessidades e preocupações. Ela reiterou o compromisso do Legislativo Municipal com a vida das mulheres, das crianças e dos adolescentes, além de ressaltar que vai marcar reuniões com órgãos competentes para debater formas de solução.
“Temos que pensar a política como um todo e tentar amenizar a situação. Mas, temos que combater com leis e de forma muito dura. Não deixaremos isso passar. Reafirmamos sempre que criança não é mãe e estuprador não é pai. Aqui, seremos firmes e vigilantes em defesa de nossas crianças”, afirmou Jailma Carvalho, salientando ainda que foi formada uma comissão específica de vereadores para acompanhar o caso.
O vereador Odon Bezerra (PSB) destacou que a comissão vai visitar a Secretaria de Segurança para solicitar rigor nas investigações e a devida punição. Ele disse ainda que é preciso pensar qual a política que o poder público deve adotar para a proteção das crianças. “Temos leis que punem esse tipo de conduta, mas precisamos nos antecipar para que maus como esse não venham a ocorrer”, afirmou, enfatizando a necessidade da união de todas as esferas para buscar as soluções e cobrar a punição de acordo com o rigor da lei.






















