A Câmara dos Deputados aprovou, em uma votação que durou menos de dois minutos, uma proposta que altera regras internas relacionadas à comissão disciplinar da Casa. A rapidez da tramitação e a ausência de debate em plenário provocaram críticas de servidores e parlamentares da oposição.
A proposta foi apresentada pela Mesa Diretora e aprovada poucas horas depois, sem a designação de relator e sem discussões entre os deputados presentes. A sessão foi conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o texto foi promulgado logo após a aprovação.
De acordo com críticas apresentadas por representantes dos servidores, a nova redação amplia poderes administrativos do diretor-geral da Câmara, que passa a ter maior influência sobre a composição e o funcionamento da comissão disciplinar responsável por analisar processos internos envolvendo servidores da Casa.
Entre os pontos questionados está a possibilidade de o diretor-geral indicar integrantes do colegiado, definir sua presidência e autorizar substituições. Para os críticos, a mudança pode comprometer a independência dos membros da comissão e concentrar excessivamente decisões administrativas em uma única autoridade.
A votação ocorreu dias após a divulgação de informações sobre pagamentos elevados de horas extras a integrantes da alta administração da Câmara. O assunto gerou repercussão nos bastidores de Brasília e aumentou a atenção sobre mudanças administrativas dentro da estrutura do Legislativo federal.
Apenas parlamentares do Psol, do Novo e da federação Rede/Psol registraram votos contrários à proposta. Deputados da oposição argumentaram que o tema deveria ter sido submetido a uma discussão mais aprofundada antes da votação em plenário.
O episódio reacendeu o debate sobre a velocidade de tramitação de matérias administrativas na Câmara e sobre os mecanismos de transparência adotados pelo Parlamento em decisões que afetam o funcionamento interno da instituição.
RESUMO DA NOTÍCIA
- Câmara aprovou proposta interna em menos de dois minutos.
- O texto foi apresentado e votado no mesmo dia.
- A medida amplia atribuições administrativas ligadas à comissão disciplinar da Casa.
- Servidores apontam risco de concentração de poder.
- Psol, Novo e Rede/Psol votaram contra a proposta.
- A votação ocorreu sob a condução do presidente da Câmara, Hugo Motta.
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