Maioria de oposição no Congresso será desafio para governo Lula, dizem analistas

Maioria de oposição no Congresso será desafio para governo Lula, dizem analistas

Eleito para seu quarto mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá na composição do Congresso um desafio para governar.

“A oposição vai ter o controle da pauta do Legislativo e tem voto suficiente para derrubar eventuais vetos dados pelo presidente eleito”, afirma a professora Mariana Chaise, do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O cientista político Ismael Almeida acrescenta o desafio da eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. “Esses cargos são estratégicos, porque influenciam diretamente quais matérias avançam, quais ficam paradas e como será conduzida a relação entre os Poderes”, explica. “Se a oposição conseguir uma maioria para eleger os dois presidentes, Lula poderá enfrentar dificuldades ainda maiores para aprovar a sua agenda.”

Já o cientista político Antônio Flávio Testa disse que Lula terá que assumir compromissos com um Congresso “em tese resistente às suas posições”, se quiser cumprir as promessas de campanha.

Diálogo
Ismael Almeida e Mariana Chaise acreditam, no entanto, na possibilidade de uma pacificação entre o Executivo e o Legislativo. Na avaliação de Almeida, o desafio estará em formar uma base estável, sem transformar cada votação numa crise política.

Já Mariana acredita que Lula tentará reconstruir sua base de apoio a partir de uma adesão dos parlamentares ao governo. “Mas essa adesão tende a ser negociada tema a tema. A pauta tende a ser mais enxuta e focada em temas muito populares”, avalia a professora.

Ela diz ainda que a negociação seguirá a lógica de negociar com diferentes partidos. “Existe uma composição de partidos que tende a negociar, independentemente de qual seja o governo. A dificuldade se mantém no PL, que tem incentivos eleitorais para manter o espírito de polarização ativo até a próxima eleição presidencial”, afirma Mariana Chaise.

Neste novo mandato, Lula também não terá a “caixa de ferramentas”, nas palavras de Mariana, que teve em seus primeiros governos nos anos 2000. As emendas parlamentares, por exemplo, passaram a ser impositivas, obrigando o governo a executar gastos indicados por parlamentares no orçamento público e acabando com o poder de barganha do presidente.

Fonte: camara.leg.br

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