SAÚDE MENTAL
Pesquisa acende alerta nas redações: mais de 50% dos jornalistas apresentam sintomas de depressão no Brasil

SAÚDE MENTALPesquisa acende alerta nas redações: mais de 50% dos jornalistas apresentam sintomas de depressão no Brasil

Mais da metade dos jornalistas que participaram de uma pesquisa nacional apresentou sintomas de depressão. O dado foi revelado nesta segunda-feira (14), durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, e acende um alerta sobre as condições de trabalho dentro e fora das redações brasileiras.

O levantamento “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” foi elaborado pela Fundacentro, em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e ouviu 257 profissionais por meio de questionário on-line.

Além dos sintomas de depressão, 47,8% dos participantes relataram estresse e 47,9% apresentaram insônia.

PRESSÃO NAS REDAÇÕES

A pesquisa analisou fatores como ansiedade, depressão, estresse, insônia, satisfação profissional, capacidade para o trabalho, assédio moral e digital, além da pressão existente no ambiente profissional.

Para a presidente da Fenaj, Samira de Castro, o problema não deve ser encarado apenas como uma questão individual.

Segundo ela, jornadas prolongadas, pressão por produtividade, falta de autonomia, assédio e violência digital fazem parte de um conjunto de fatores relacionados às condições de trabalho dos jornalistas.

A DITADURA DOS CLIQUES

Outro ponto levantado durante a reunião foi a transformação provocada pelas novas tecnologias e pelas redes sociais na rotina das redações.

O secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj, Norian Segatto, criticou a cobrança cada vez maior por audiência, visualizações e engajamento.

Na avaliação apresentada durante o debate, profissionais muitas vezes passam a ser cobrados não apenas pela qualidade jornalística do conteúdo produzido, mas também pela quantidade de cliques, curtidas e visualizações alcançadas pelas reportagens.

O cenário coloca uma discussão importante para o jornalismo atual: até que ponto a corrida pela audiência e pelo conteúdo viral está aumentando a pressão sobre quem produz a notícia?

ASSÉDIO MORAL TAMBÉM PREOCUPA

O levantamento revelou ainda números significativos relacionados ao assédio moral.

Considerando os profissionais que relataram episódios ocorridos pelo menos uma vez, o percentual chegou a 37%. Quando analisados aqueles que relataram situações duas vezes ou mais, o índice ficou em 26%.

A coordenadora de Comunicação da Fundacentro, Cristiane Oliveira Reimberg, chamou atenção para o risco de naturalização desse tipo de comportamento dentro das redações.

MULHERES SÃO PRINCIPAIS ALVOS DE ATAQUES

A situação ganha outra dimensão quando o ambiente de trabalho se encontra com a violência nas redes sociais.

Durante a reunião, a presidente do Conselho de Comunicação Social, Patrícia Blanco, informou que o primeiro relatório da Coalizão em Defesa do Jornalismo identificou mais de 2,6 mil ataques contra jornalistas em apenas duas semanas do período eleitoral.

Segundo os dados apresentados, dois terços desses ataques foram direcionados a mulheres jornalistas.

Patrícia também repudiou insultos, ameaças e ataques de caráter sexual dirigidos às profissionais da imprensa.

CONGRESSO PODE DISCUTIR NOVAS MEDIDAS

Os resultados podem servir de base para futuras discussões sobre proteção aos profissionais da comunicação.

Representantes da Fenaj defendem que o diagnóstico seja utilizado tanto nas negociações trabalhistas quanto na construção de possíveis medidas legislativas voltadas à proteção dos jornalistas.

Em um ano eleitoral, quando aumenta a pressão sobre profissionais que cobrem política, candidatos e campanhas, os números colocam a saúde mental e a segurança dos jornalistas no centro de uma discussão que ultrapassa as próprias redações.

RESUMO DA NOTÍCIA

Pesquisa apresentada ao Conselho de Comunicação Social do Congresso aponta que mais de 50% dos 257 jornalistas participantes apresentaram sintomas de depressão. O levantamento também registrou 47,8% com estresse e 47,9% com insônia. Assédio moral, pressão por produtividade e violência digital aparecem entre os problemas enfrentados pela categoria.

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O levantamento também chama atenção para a violência contra profissionais da imprensa durante as Eleições 2026. Segundo dados apresentados ao Conselho de Comunicação Social, mais de 2,6 mil ataques contra jornalistas foram identificados nas duas primeiras semanas do período eleitoral, sendo aproximadamente dois terços direcionados às mulheres.

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